O Artista

Uma Releitura do Barroco

por Mirtes Helena, Jornal Hoje em Dia.

retratoNão se  sabe se por herança ou destino, Hélio Petrus virou artista. Nascido em Felipe dos Santos e criado em Mariana, habituou-se a ver e admirar, desde menino, trabalhos de mestres como Aleijadinho e Ataíde. E não teve outra escolha a não ser sangrar o cedro em busca de formas e feições. Era o seu jeito de se apaziguar, de amenizar suas angústias. Antes, tentou outros caminhos: foi seminarista, poeta, músico, estudante de Direito e até Prefeito da cidade. Mas, felizmente para o número cada vez maior de admiradores da sua arte, Petrus atendeu ao que ele considera como o chamado divino e, há 46 anos, faz trabalhos maravilhosos que alguns classificam como neobarroco. Seus entalhes chamam a atenção, principalmente pela beleza, uma espécie de releitura do barroco com acabamento em pátina em tons claros. No próximo ano, o artista inicia nova fase na carreira. Planeja deixar seu atelier em Mariana por conta dos discípulos que vêm formando e quer cair na estrada para divulgar seus trabalhos e acompanhar as cada dia mais numerosas exposições de suas obras por este Brasil afora.

Em entrevista, o artista revela o início de sua profissão: ” Engraçado é que a arte me foi imposta como uma vocação tardia. Vocação e missão, eu diria, porque todo artista é chamado por Deus para completar a sua obra na criação, ou melhor, para embelezar e salvar o mundo através de sua arte. Antes de ser entalhador, eu fui um pouquinho disto na vida: Seminarista, Aluno, Professor, Poeta, Músico, Prefeito, Filósofo, Estudante de Direito, etc. Somente aos 25 anos de idade é que eu me surpreendi, um dia, cortando tímida e respeitosamente um naco de cedro, do qual nasceu o rosto de uma figura humana. Estava aí então selada, sem que eu soubesse ou desejasse, minha carreira de êxtases e agonias.”

Jornal Hoje em Dia, Belo Horizonte, 5 d

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