Hélio sintetiza orgulho marianense

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Arte Barroca

O termo barroco deriva do movimento surgido no início do século XVII na Itália, estendendo-se por toda a Europa e América Latina, onde se desenvolveu durante o séculos XVIII e início do século XIX. A Igreja Católica através da Contra Reforma, utilizou-se da arte barroca na tentativa de conter o avanço do protestantismo.

Barroco Mineiro

Durante o século XVIII, enquanto a Europa experimentava as concepções artísticas do Neo Classicismo, a arte colonial mineira resistia às inovações, mantendo um barroco tardio, mas singular. A distância do litoral e as dificuldades de importação de materiais e técnicas construtivas deram ao barroco de Minas Gerais um caráter peculiar, que possibilitou a criação de uma arte marcada pelo regionalismo. A conformação urbana das vilas mineiras e a fé intimista em que cada fiel se relacionava com seu santo protetor, viabilizaram uma forma de expressão única. Surgiram então artistas que trabalharam a partir das condições materiais da região, adaptando os ideais artísticos à sua vivência cotidiana. Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e Manuel da Costa Ataíde são os expoentes máximos dessa arte adaptada ao ambiente tropical e ligada aos recursos e valores regionais.

O Entalhe

A palavra talha, derivada do verbo entalhar, teve como precursor Donatelo, que inspirou Michelangelo. O relevo está presente no ornamento de retábulos e púlpitos em bronze ou bronze dourado. A princípio, a técnica ofereceu cenas enormes com perspectiva perfeita, dando profundidade com menos recurso. O barroco europeu valorizou o figurativo, mas no Brasil do século XVIII a talha figurativa, raríssima, cedeu lugar à talha ornamentista. Hélio Petrus surge então como co-autor de um estilo batizado como neobarroco ou novos caminhos do barroco, ao explorar como o meste Donatelo, os recursos da talha e valorizar o relevo. Muito poucos escultores na atualidade dedicam-se a esculpir talhas. A proporção do objeto adquire matizes de variados tamanhos e consome meses de trabalho. O perfeccionismo é outra característica marcante na arte neobarroca. Ao contrário da arte sacra do século XVIII, os entalhes são mais suaves e os detalhes valorizados sobremaneira. As esculturas ganharam movimento e as peças receberam o mesmo tratamento em todos os seus ângulos, tanto no entalhe como na pintura. A iconografia permite agora variações.

A Monocromia

Apenas nas Minas Gerais e seguramente em Mariana encontra-se uma nova variante para a iconografia religiosa do barroco: a monocromia em pátina. A arte barroca mineira recebe três acabamentos distintos: a policromia, o douramento e a monocromia. Hélio Petrus é o precursor desta nova releitura do século XVIII, muito bem adaptada para os moldes de uma monocromia com pouco douramento, proporcionando-nos ver a estética, a riqueza do entalhe, o refinamento da escultura. A monocromia revela, pois, o entalhe. Petrus desfez a densidade dramática do barroco ao introduzir a leveza do Rococó buscando inspiração na pintura de Rubens. Suas figuras carregam, ao contrário das personagens do barroco, a felicidade que transcende o drama dos homens da Terra. Sua arte figurativa sugere que as personagens estão aqui para testemunhar a felicidade possível no Reino de Deus.

Folha Marianense, por Ricardo Guimarães, Junho 2004.

Este post também está disponível em: Inglês

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